Ao mesmo tempo que EUA e Rússia apostam em novo roteiro político para gerir a guerra civil síria, o primeiro-ministro turco foi a Washington dizer duas coisas: primeira, que há uma crise humanitária no território turco provocada pelo fluxo de refugiados cada vez mais incontrolável (quase meio milhão); segunda, que o apoio financeiro americano aos refugiados e a uma fação da oposição a Assad já não é suficiente. O resultado é, para a Turquia, duplo: por um lado, um risco de insegurança no seu território por via dos refugiados e pela circulação incontrolável de jihadistas; por outro, uma vitória de Assad que leve a retaliações futuras à Turquia (com ajuda do Irão e do Hezbollah), por via do apoio a parte da oposição síria.
Hoje no Diário de Notícias
Bem sei que estás com uma cabeça do tamanho da barriga do Barbas, mas deixa o dr. Totti fora disto porque ele está para lá do futebol. De qualquer forma, vejo que conseguiste resumir tudo num título: sempre são 35 capelas e não 35 pontos aquilo que distingue os nossos clubes.
E ainda falas. Nem o Totti te safa. Lazio sempre!
No Capela, no party.
Olha, eu na NBC (aqui). Embora o thanks do meu título fosse mais pela vitória contra o comunismo.
Para os meus amigos deste blog que vão ver competições europeias pela Tv e jogar grandes derbies com o Arouca.

A"Europa" continua fraturante na política inglesa. Ao contrário do que acontece na maioria das capitais da UE, os termos da relação entre Londres e Bruxelas motivam quedas de governo (Wilson, Thatcher, Major), rebeliões (a Maastricht Rebellion contra Major, p.ex.) e cisões partidárias (a origem do SDP de Jenkins, vindo do Labour), início de recuperações eleitorais (Labour nas europeias de 1989), transformações programáticas (do Old para o New Labour), ou até na influência direta que Blair teve ao lançar Barroso para a presidência da atual Comissão Europeia. Ou seja, há muito que a "Europa" é factor preponderante na política inglesa. O que Cameron tem feito é dar um passo em frente: de preponderante a decisivo.
Hoje no Diário de Notícias
Se Deus quiser chego lá.
Sobretudo, e isto também interessa a Portugal, porque a retirada da NATO do Afeganistão vai dever parte do sucesso e dos custos ao apoio e segurança que o Governo paquistanês garantirá até ao porto de Carachi. Estamos a falar em custos previstos de retirada na ordem dos 5,5 mil milhões de dólares: a saída feita pela Ásia Central será muito mais cara e demorada do que pelo Paquistão. O Paquistão é a fronteira oriental da Aliança Atlântica. Razão mais do que suficiente para que os decisores ocidentais olhem para o que lá se passa com outra seriedade.
Hoje no Diário de Notícias
O peso da França depende da sobrevivência da UE, tal como o do Reino Unido depende da manutenção da NATO. Dos grandes da UE, só a Alemanha tem uma estratégia pensada e autónoma à implosão das duas instituições berço da Europa pós-45 e 89: chama-se aliança com a Rússia. É esta autonomia estratégica que lhe permite actuar na UE mais ou menos como entende, sabendo que essa ligação lhe garantirá no futuro o peso e a influência que a sua dimensão pede no quadro das grandes potências internacionais.
Ainda bem que é irrepetível. O outro momento fundador chama-se reunificação alemã e só agora estamos a perceber o seu verdadeiro impacto. Ou seja, o que estamos a presenciar é outra ideia de UE porque o seu momento fundador é distinto do primeiro. E é distinto para o bem e para o mal.
O momento fundador de uma certa ideia de UE foi a destruição provocada pela II Guerra Mundial. Como escreveu Tony Judt em meados dos anos 90, isso é irrepetível.
A UE deixou de ser um projecto europeu para ser um mecanismo de regulação dos equilíbrios regionais com a preponderância da Alemanha.
A crise da Zona Euro devia ser o mote para preparar politicamente a UE para a restante Europa. A sua maior dimensão não é nem financeira nem económica: é política. Quem olhar para o dia seguinte tem hoje condições para decidir melhor.
Hoje no Diário de Notícias
Para Londres e Paris a solução política esgotou-se, mas para Washington e Moscovo, não. O receio de que as armas cheguem ao círculo da Al-Qaeda leva a que Kerry e Lavrov proponham uma conferencia internacional que coloque na agenda um roteiro de transição que, previsivelmente, inclua gente pró e anti-Assad, um calendário de cessar-fogo e a presença de uma força de "manutenção da paz" sob chapéu da ONU. Será agenda de sucesso? Ninguém sabe. Mais evidente é que Londres, para contornar a ausência de força no centro político e financeiro da UE, quer projetar poder e estatuto pela defesa; e Paris, fiel à posição eurocentral, procura duplamente equilibrar o peso da Alemanha: pela agenda económica (inconsistente) e pelo voluntarismo na segurança (persistente). Há tradições na Europa que se mantêm.
Hoje no Diário de Notícias
Foi o terceiro ataque de Israel no território sírio este ano. Mas a destruição de instalações militares nos arredores de Damasco tinha outro alvo que não Assad: mísseis iranianos fornecidos ao Hezbollah. O ataque não foi à Síria, foi ao Irão por interposta entidade. Na semana em que os EUA vacilam sobre o rumo a dar à guerra civil síria, Israel diz a Teerão e a Beirute que não admite guerras de sombras contra si.
Hoje no Diário de Notícias
Miguel Monjardino escreve neste último Expresso sobre a consolidação da ultrapassagem a Lisboa feita por Washington. Quem fica a ganhar é Espanha. No texto do Miguel há a referência a um dos argumentos centrais no meu livro, "A Cimeira das Lajes", vincando a dinâmica ibérica que esteve por trás de todo esse processo. Mas se há dez anos essa desvalorização de Lisboa foi, de certa maneira, congelada pelo apoio de Barroso à guerra, hoje Portugal parece ter poucos argumentos para cativar a atenção americana. Sugiro um para a próxima década: a costa ocidental africana, os dilemas de segurança do golfo da Guiné, a emergência do Brasil e Angola enquanto valorização do Atlântico Sul no interior da NATO. Quanto mais esta região for relevante para a Aliança (e para a UE), mais argumentos tem Portugal para afirmar a sua relevância, conhecimento e influência. Caso contrário, o fosso para Madrid vai continuar.
E se é assim neste fim de vida, que acontecerá depois do seu desaparecimento? Uma apropriação faciosa do legado? A ruína apressada da memória unificadora? Mandela foi um político extraordinário, cuja vida merece que o país o respeite e se respeite. Zuma, esse, não passará de uma nota no rodapé da história.
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Hoje no Diário Económico
Por isto a decisão em Washington é tremendamente difícil: seguir o imperativo moral clintoniano influente em muitos sectores democratas (Dennis Ross, Anne Marie Slaughter, Susan Rice) ou manter o rumo Obama: refazer a América em casa (Richard Haass fala disso em Foreign Policy Begins at Home), aplicar recursos e capital político no Pacífico, atuar em conflitos de forma criteriosa (drones) fugindo de longas guerras, permanências caras e resultados desastrosos. Este não é apenas o dilema de Obama: é a dúvida que acompanhará os EUA nos próximos anos.
Hoje no Diário de Notícias

Ontem, no CCB, foi assim. Com muito preto e pouca luz, a nossa maior voz impôs-se com naturalidade no meio das guitarras, sem grandes conversas mas com muita alma. Num certo sentido, Camané é o nosso Johnny Cash.
O que leva um povo a dar maioria absoluta a quem governou nos doze anos que antecederam a hecatombe de 2007/2008? Porque foi penalizada a esquerda (sociais-democratas e verdes) que governou o país nos últimos quatro anos, com média de crescimento em 2,5%, desemprego estabilizado nos 5% e com parte significativa do empréstimo do FMI saldada? A política parece ter razões que a razão desconhece. Mas a direita que vence é a que há oitenta anos governa a Islândia. O corpo estranho na gestão do país é a esquerda e, ao que parece, os islandeses não simpatizam com ela, nem mesmo com uma eficaz gestão da crise financeira.
Hoje no Diário de Notícias
Depois de ter feito estágio na democracia-cristã, Enrico Letta percorreu o caminho muito em voga na idade adulta: engrossou as fileiras do socialismo (Portugal dá cursos intensivos nesta matéria). Parece que esta é a grande vantagem de Letta: conhecer os meandros de todos os partidos depois de os ter frequentado.
Hoje no Diário de Notícias
Não sei o que foi mais triste, o patético e provinciano excesso de citações ou o enterro do presidente da república como construtor de pontes e consensos
Podem não ter resolvido os dramas da Guiné-Bissau, mas têm tudo para ser o princípio do fim da sua podridão sistémica: a detenção e acusação norte-americanas dos narcotraficantes Na Tchuto e Indjai, este último estratega do golpe de 2012 e homem forte da cadeia militar.
Hoje no Diário de Notícias
A CML faliu há poucos anos. Nunca geriu nem quis saber da gestão dos transportes da cidade. Que se enterraram em dívida. Um Governo PS, com António Costa como número dois, faliu o país. Pediu ajuda e deu como garantia, entre outras coisas, a privatização do Metro e da Carris. Agora António Costa já não é (oficialmente) número dois do PS. O PS já não governa. Mas há que pagar a dívida do país e das empresas públicas de transportes de Lisboa que, finalmente, entraram equilíbrio financeiro do ponto de vista operacional. E: dar honra aos compromissos assumidos. Será mesmo verdade que António Costa quer travar nos tribunais a privatização das empresas de transporte da cidade?