Não gosto de regressos de jogadores, mas o Lucho... jogadores com muitos campeonatos ganhos, belíssimas carreiras nas principais provas internacionais, muito dinheiro ganho, têm normalmente falta de ambição, querem acabar a carreira sossegados, eh pá mas o Lucho...
O Lucho é um jogador de futebol extraordinário. É sem ponta de exagero um dos melhores centro-campistas de todos os tempos. A prova de que há muito ceguinho no futebol é ele não ter actuado nas quatro ou cinco equipas europeias mais fortes que o grande FC Porto. Não é caso único, nem sequer raro, mas este rapaz não ter chegado ao panteão é a demonstração prática de que isto de chegar a um determinado patamar não tem apenas a ver com a capacidade de jogar à bola. Comparar, por exemplo, o Beckam com o Lucho é como comparar merda com chocolate. Chega até a ser ofensivo para o sr. Gonzalez.
Até dia 31 as minhas rezas estão viradas para o regresso do filho pródigo. Nada mais importa. Que se lixe ter de pagar ao fisco metade do que não ganhei. Estou disposto a dizer bem do Seguro, do Passos e até do Cavaco. É o que for preciso.
Eh pá, o Lucho... o Lucho das costas direitas, pezinhos de lã e bússola na carola. O Lucho que inspirou o Camões, o gajo capaz de gelar um jogo que esteja a correr mal ou em duas penadas tirar um meio-campo da morrinha. O Lucho dos golos do outro mundo. Eh pá, o Lucho é que era.
A Standard & Poor's entrou nas eleições francesas sem apelo nem agravo ao mirrar o sagrado triplo A. Sarkozy andava à espera que a bomba lhe explodisse a qualquer dia e também por isso mostrava tanta sintonia com Merkel em público. Mas como alguém me disse em tempos, o facto de Paris e Berlim terem expeditamente retirado Londres do centro das decisões só mostra que o epicentro da crise está em França. E para a resolver, nem Sarkozy, nem Hollande e muito menos Marine Le Pen parecem ter soluções à altura.
Hoje no Diário de Notícias
A semana termina como começou: com pressão alta, muito alta, sobre Portugal e a sua capacidade financeira. A dúvida é saber se somos ou não um Estado solvente. E, a verdade, é que (ainda) não somos. Os parêntesis e o "ainda" servem para destacar uma expectativa, a minha expectativa. Espero que venhamos a ser, mas ainda não o somos. Uma coisa eu sei sem pestanejar um milésimo de segundo: ao contrário do que acontecia, agora enfrentamos a realidade com verdade. Dos últimos sete dias registo uma ideia do PM que gostei de ouvir: não estamos imunes de ir ao charco, mas no que depende de nós tudo faremos para o evitar. Mais vale uma verdade dura, do uma mentira suave.
Parece que no Reino Unido também há uma justiça para ricos, pobres, com expedientes dilatórios, demorados, alguns absurdos, direitos dos arguidos e outras coisas chatas que as democracias têm... E não é por isso que resolvem rebentar com direitos basilares. Preferem a imperfeição democrática, à perfeição justiceira.
Eu sou benfiquista, não gosto da personagem em questão, tenho pena que a justiça portuguesa o tenha deixado fugir e que a inglesa não o mande de volta, mas, mesmo assim, prefiro viver nestes regimes imperfeitos.
A Senhora Ministra da Justiça diz que há uma justiça para ricos e outra para pobres, mas que as medidas que está a adoptar visam acabar com isso, como é o caso da criminalização do enriquecimento ilícito.
Confesso que esta não percebi. O que é que uma coisa tem a ver com a outra? Será que é porque enriquecimento vem de rico? Ou porque os ricos têm dinheiro para pagar aos melhores advogados e portanto é melhor inverter-lhes o ónus da prova para ser mais difícil safarem-se?
Eu diria que uma justiça mais igualitária se alcança com a garantia do acesso ao direito e à justiça em termos condignos para todos, conforme prevê o artigo 20.º da Constituição da República Portuguesa. Por exemplo, na perspectiva dos pobres, com custas judiciais suportáveis e com um regime de apoio judiciário efectivo. Na perspectiva dos ricos (os tais poderosos malandros), por exemplo, com o fim da impunidade das condenações apriorísticas na fogueira da praça pública, sem direito a defesa ou contraditório. Na perspectiva de todos, com uma justiça célere e, acima de tudo (nomeadamente de todos os impulsos populistas), preservadora dos princípios fundamentais de qualquer Estado de Direito.
Mas devo estar enganado! Pelos vistos, para a Senhora Ministra o mais importante é a opção por uma pobreza de discurso assente na muito popularucha conversa do rico e do pobre.
Até porque, se alguma coisa as última décadas provaram, foi que o isolamento diplomático não conseguiu travar o programa nuclear. Em ano eleitoral nos EUA e "com todas as opções sobre a mesa", a negociação direta deve constar do topo do cardápio.
Hoje no Diário de Notícias
Armando Vara e Nuno Fernandes Thomaz passaram pela política e foram nomeados para a administração da CGD. O primeiro pelo Governo PS, o segundo pelo Governo PSD/CDS. Perante a súbita falta de memória deste senhor vamos lá comparar currículos no momento em que entraram na CGD:
Armando Vara
Licenciado em Relações Internacionais pela Universidade Independente
Pós-graduado em gestão empresarial pelo ISCTE
Ministro da Juventude e Desporto e Adjunto
Secretário de Estado
Candidato à Câmara da Amadora
Deputado nas IV, V, VI, VII legislaturas
Funcionário de balcão na dependência de Mogadouro da CGD
Nuno Fernandes Thomaz
Licenciado em Administração e Gestão de Empresas pelo Instituto Superior de Gestão
Pós-Graduação na Harvard Business School
CEO do ASK
CEO da Orey Financial
Fundador e director coordenador do Banif Investment Bank
Vice-presidente da Banif Ascor
Director do Banco de Negócios da Argentaria
Director de vendas e negociação da Carnegie Portugal
Sales/Trader da BCI Valores (Grupo Santander)
Secretário de Estado dos Assuntos do Mar
O Iordanov fala melhor português que o Eusébio.
O Presidente recebe caridade, a oposição agarra-se à falta de liberdade de expressão, descobre-se uma praticante da pan-sexualidade obscena e o Jardim diz que agora é que vai poupar.
Acho inqualificável trazer o que a Raquel escreveu num jornal sobre um assunto que nada tem a ver com a questão que andamos a discutir tentando fazer juízos de valor sobre a pessoa. Pensava que nos espaços de opinião se podiam dar opiniões políticas.Por aqui me fico. Não estou propriamente bem disposto.
RTP. Sou dos que não percebe porque tem o Estado de ter meios de comunicação social. Por mim, todos vendidos, o mercado regulado e é assinado um contrato de prestação de serviço público com aposta clara na diáspora, na produção nacional e etc.. Acho que a posição do Governo peca por escassa.
Opinião. Pedro, não somos ingénuos e ambos sabemos que no dia em que o comentador da casa não fizer outra coisa além de atacar o patrão será, pura e simplesmente, despedido. E acho muito bem: no dia em que Público fizer do engenheiro Belmiro o seu alvo...[nem se justifica terminar o raciocínio].
Política. Ambos sabemos que o não caso da RDP tresanda a politiquice. Tresanda. Ouve a cineasta Raquel Freire e está lá tudo: a luta de classes, o provo oprimido, o Governo da 'troika', a emigração forçada e os danados do grande capital. Só não vê quem não quer.
Delito de opinião. Continuo a não acreditar que o Pedro Rosa Mendes foi despedido por ter criticado na rádio do Estado, um programa da televisão do Estado. Isto ainda não é a Venezuela! Ele diz que alguém da RDP lhe disse que uma terceira pessoa (a administração) tinha corrido com ele e mais quatro comentadores porque ele, Pedro Rosa Mendes, tinha criticado um programa de televisão. Vamos lá esclarecer. É o mínimo: ele, PRM, tem a obrigação moral e legal de apresentar queixa e denunciar quem lhe disse o quê. Essa pessoa tem a obrigação moral e legal de dizer quem da administração disse o quê. Pratos limpos.
Francisco, por, com certeza, lapso de memória esqueceste-te de duas coisas.
Primeiro, não é a mesma coisa ser dono duma empresa privada e gerir uma empresa pública. Uma empresa privada é dos donos, uma empresa pública não é do Governo e muito menos propriedade de quem conjunturalmente tem um dado pelouro. Mais a mais, como bem sabes, os órgãos de comunicação social têm um estatuto especial, independência editorial e tudo o mais que também conheces perfeitamente. Mas como não andamos propriamente a dormir sabemos que nas empresas privadas, digamos, outros valores se levantam...
No sector público a coisa muda de figura. A lei prescreve de forma clara a sua independência e atribui-lhe grande importância (não vamos discutir se está certo ou errado). Ora, sabendo que o Governo não é dono da RDP ou da RTP e que deve zelar por essa independência não entendo o que queres dizer com não se poder dizer mal do dono. Será que defendes que nos espaços de opinião de órgãos de comunicação do Estado não se pode dar uma opinião livre? Ou que seja livre desde que não se diga mal do governo?
Segundo, I got news for you: nem a RTP nem a RDP vão ser privatizadas. A RTP vai apenas vender um canal e a RDP nem isso. Será que defendes que estas estações devem ser uma espécie de porta voz dos governos? Estou certo que não.
Bem sei, a realidade tem sido essa. De facto, todos os Governos, uns mais outros menos, têm tratado os órgãos de comunicação social do Estado, e não só, como se fossem donos deles. Mas a questão é se estamos dispostos a aceitar isso, se passamos a achar normal que alguém seja despedido duma rádio ou televisão pública por delito de opinião.
Quanto aos privados, deixa-me dar-te a minha opinião e a minha experiência pessoal. Nunca me senti constrangido, nem pressionado. Já disse coisas desagradáveis sobre as empresas que me pagam e nunca me disseram nada, mas aceitaria que me dispensassem se achassem que eu ia contra o que elas pensam ser os seus interesses. Faz parte do jogo. Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele, e quem vende a sua opinião a uma empresa que se guia pelo critério do lucro está sujeito a isso. Por outro lado, ou valemos pelo que dizemos ou escrevemos, ou nunca passaremos de fantoches, bonecos que as pessoas já sabem o que vão dizer. Mas isso já é outra história.
Raquel Freire, cineasta, uma "pan-sexual" das "obscenas" diz que foi censurada na RDP. Para os mais distraídos aqui fica um pensamento profundo com que brindou os leitores do "Sol", a 28 de Março de 2009: "O sexo na Alemanha comunista durava mais tempo e era melhor. As mulheres, como adoptavam as doutrinas feministas, achavam que também tinham que ter orgasmos, que não eram só os homens. Já as mulheres da Alemanha Ocidental faziam um bocado o papel de bonecas insufláveis, como as nossas mães e as nossas avós. Na Alemanha comunista usavam-se métodos contraceptivos e estava muito mais presente a ideia do sexo pelo prazer e não apenas com o objectivo da reprodução". O comunismo combate a ejaculação precoce? "Provavelmente, mesmo que os homens ejaculassem depressa eram obrigados a continuar a relação e a dar prazer às mulheres". Eu tinha a mesma dúvida da Raquel: "Para que serve uma rádio pública e um serviço público?". Mas já tenho resposta: para nos animar. Aquela coisa da flash mob e das pensões do Cavaco já está a perder gás...
Uma coisa é a liberdade de expressão, outra é colar-se à sua sombra e fazer política. Esta senhora fez política. Com o dinheiro dos nossos impostos fez política. Não tem mal fazer política com as subvenções que o Estado dá aos partidos políticos. Mas ela fez política com o dinheiro dos nossos impostos que serve para informar, com a nossa rádio "paga por nós todos". E isso eu não gosto. É mau. É mau. E fez-me lembrar uma frase do Pedro Rosa Mendes: a tal que fala de figuras grotescas.
Em 2010, Cavaco ganhou 280 mil euros brutos, cerca de 20 mil euros por mês antes de pagar impostos. Incluindo dois subsídios. Em 2011 ganhou metade, qualquer coisa como 10 mil euros brutos por mês porque deixou de acumular pensões com o salário e o próprio salário sofreu um corte de 5%. Cavaco ganhava 100, em 2010, passou a ganhar 50, em 2011, e continuou a fazer exactamente a mesma coisa: a ser Presidente da República. Levou um 'hair cut' à grega e no último no fim-de-semana só se esqueceu de o explicar. Imaginemos que tinha dito: "Enquanto Presidente, no último ano, sofri um corte de 50% nos meus rendimentos o que me obrigou a cortar gastos. A minha situação não é sequer comparável com a que vivem milhares de portugueses, sou um privilegiado. Mas estou inteiramente solidário com todos os que hoje passam por dificuldades". Hoje Cavaco podia, até, responder aos senhores dos blogues que confundem uma gafe com política baixinha: "Venham cá deixar as moedas que sei bem o destino a dar - vão para quem quer e não tem o que comer".
Será o primeiro "Estado da União" pós-Ben Laden, pós-Iraque e com as primárias republicanas ao rubro.
Hoje no Diário de Notícias
Sobre a comunicação social, ao contrário do Pedro e do Pacheco Pereira, não me surpreende nada o que tem acontecido. Aliás, não é de hoje e não foi, em nada, influenciado por este Governo. Se olharmos para a última década temos três movimentos claros: concentração de meios em poucos grupos, grupos cada vez mais expostos ao crédito e dependentes da oscilação dos mercados e, por fim, informação cada vez mais permeável à fragilidade financeira dos patrões dos media. Repito: não é de hoje.
Sobre o capital angolano estranho os que se indignam agora com o que é Angola. Então e quando entraram, à época, no maior banco privado português (BCP)? E quando entraram na petrolífera nacional (Galp)? E quando entraram no BPI e na Zon? Só se é virgem uma vez, mesmo quando se perde a virgindade já velho.
Sobre o Pedro Rosa Mendes não sei o que aconteceu. Sei uma coisa que para mim é clara. Tão clara para mim como para ti, Pedro, como o é para o Pacheco Pereira. Quem faz opinião sabe-o: não vais a casa do patrão dizer mal dele. E é uma coisa tão clara, tão clara, tão clara que nunca li uma crítica do Pacheco Pereira no "Público" ao engenheiro Belmiro, nunca o ouvi criticar Francisco Pinto Balsemão na Quadratura do Círculo ou arrasar com a Cofina nas duas páginas semanais da Sábado. O mesmo se aplica a todos os comentadores, de todos os meios. Não dizes mal do patrão que te abre a porta de sua casa. Quando entrei no jornalismo, em 2002, tive uma grande entrevista com o senhor engenheiro Magalhães Crespo, presidente do Conselho de Administração da Renascença. Em cinco minutos explicou-me o essencial: todas as notícias que envolvem a Igreja Católica são muitos bem filtradas. Podia ser de outra forma? Não. Daí, eu ser um claro defensor da proposta de Miguel Relvas: privatizai a RTP e depressa e acabai com os "tentáculos" que outros tiveram, alimentaram e nunca abdicaram.
O Pacheco Pereira tem vindo a falar sobre o poder crescente de organizações angolanas na comunicação social, e não só, em Portugal. Desta vez, parece que adivinhou este miserável episódio. Em frente.
O facto de aceitamos alegremente dinheiro de proveniência duvidosa, fingirmos que é normal a família Santos ter tanto dinheiro e dominar uma inteira economia, é um sinal dos tempos e, infelizmente, da nossa miséria moral. Mas pior é sentirmos que há gente dentro do Governo português que é uma espécie de ponta de lança dos interesses dessas organizações angolanas. É mesmo assustador.
P.S Francisco, é bonita, quase enternecedora, a tua boa vontade, a tua capacidade de ver boas intenções onde eu vejo uma descarada interferência em conteúdos numa empresa pública, um despedimento disfarçado de remodelação. Era capaz de te pedir para leres a notícia mais uma vez, mas percebo que o teu bom coração não te permita ler o que o meu malévolo lê. Deve ser da velhice.
Não conheço Angola, nunca fui a Angola, mas não acho que Angola tenha mudado depois de um programa da RTP. Tão pouco mudou, nos últimos sete meses, a nossa relação com Angola. Os accionistas da Galp, BPI, BCP e Zon (só para citar alguns casos mais pesados) continuam a ser os mesmos. Recentemente o peso económico de Angola em Portugal só mudou num ponto: aumentou depois de terem comprado o BPN. Eu vi o Prós e Contras e não me senti insultado, como não me senti defraudado com a entrada dos chineses na EDP, como não me sentirei fragilizado por ver árabes a entrar na REN, ou angolanos a comprarem a RTP.
Muito me contas. Não percebo uma coisa no texto: acabou-se com um espaço de opinião de cinco pessoas porque uma delas, por uma vez, criticou um programa de televisão?
O Wall Street Journal diz que Portugal será a Grécia e deixará, em breve, de pagar as suas dívidas. O artigo é construído com três fontes: um relatório do grupo de privados que perdeu dinheiro com a renegociação da dívida grega, um broker da FxPro e Fernando Teixeira dos Santos, "who helped negotiate the bailout package under the prior government".
Acompanhar a vida dos Crawley é mais do que um hábito semanal. Tornou-se um vício.
Gostei de o conhecer, coincidimos numa ida de Paulo Portas à Polónia. Não percebo um ponto: como pode ser novidade a saída em Janeiro, se a decisão era pública desde Agosto. Os Pedros conseguiram: vou ouvir Antena 1....
Veremos como a novela se desenvolve. Quarta-feira ouvimos a crónica dele na Antena 1, pode ser que o Rosa Mendes diga alguma coisa.