Paulo, eu esclareço.
Sou, por princípio, contra referendos. No caso concreto do segundo referendo acerca do aborto existia um pequeno problema: tinha havido um primeiro referendo sobre a matéria e entendi que seria justo que a alteração dessa legislação seguisse o mesmo método.
Fui contra o primeiro referendo, a propósito.
O argumento de um possível receio duma derrota é que me parece extraordinário. Sendo o tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo, para muitos – para mim não é – um assunto menor, porque diabo mereceria agora uma atenção tão especial digna até de um referendo? Por esse andar todos os assuntos menores poderiam e deveriam ser referendados. É provável, aliás, que grande parte da legislação aprovada no parlamento não o fosse se sujeita a um referendo. Devo presumir que já não acreditas na democracia representativa?
Mais uma nota. Não percebi qual a relação entre conservadores-liberais – e a Igreja Católica. E sei porque não percebi: porque não existe. Em primeiro lugar porque essa conversa patética do conservadorismo-liberal é uma patranha ridícula sem qualquer tipo de substância e que a ninguém diz nada a não ser a uma meia dúzia de terroristas de teclado. Em segundo lugar, liberal e Igreja não rima, como bem sabes.
Por mim, acho muito bem que a Igreja faça as campanhas políticas que muito bem entender. Que seja contra o casamento civil, contra tirarem os crucifixos das escolas públicas, contra a pesca do esturjão, contra ou a favor do que quiserem.
Se fosse católico é provável que me importasse, como não pertenço a esse rebanho é-me indiferente. Não gosto, por exemplo, que o dinheiro dos meus impostos seja utilizado para pagar campanhas publicitárias da Igreja mas desse assunto trato com o Estado não com a Igreja.
P.S. obrigado pelos parabéns.