Ao longo da campanha eleitoral, Obama dispôs-se a dar prioridade ao Afeganistão. Quando chega à Casa Branca decide enviar 20 mil homens para o terreno, conquistando o Congresso e a maioria dos norte-americanos. Hoje, os democratas torcem o nariz às despesas que aí vêm (mais 30 mil milhões em 2010), aos custos políticos das arriscadas acções militares, sempre com o horizonte eleitoral que os espera em 2010. Obama propõe, mas é o Congresso que decide.
O discurso de West Point assenta numa premissa clara: a guerra no Afeganistão é justa, legítima e do interesse nacional americano. Primeiro, por ser uma resposta a um ataque em solo americano; segundo, por ter reunido na sua origem um largo consenso interno e externo - no Congresso, na NATO e no Conselho de Segurança; terceiro, porque é a leitura desta administração – tal como a de Bush sobre o mesmo cenário – que a segurança dos EUA se defende no paraíso maior da al-Qaeda e do recrutamento extremista. Se o reforço militar se inspira no sucesso da experiência iraquiana (sendo dois países bem distintos), a verdade é que Obama pouco disse sobre a necessária estratégia civil (quem paga? quanto?) e sobre a vital cooperação com o Paquistão (em que moldes?). Terminado o calendário que finalmente traçou e garantido o número de tropas e polícias afegãos capazes de garantir os serviços mínimos, a declaração de vitória será audível ainda a tempo das eleições de 2012. E aí, Obama poderá, talvez, voltar a respirar de alívio.
Hoje no i.