Portugal votou recentemente o relatório sobre a guerra em Gaza, entre o Hamas e Israel. Na Assembleia Geral da ONU, o relatório foi aprovado com 144 votos a favor, 18 contra e 44 abstenções. A esmagadora maioria dos aliados de Portugal na UE e na NATO absteve-se ou votou contra. Portugal, optou por estar ao lado dessa grande maioria que juntou a Coreia do Norte, Myanmar, a Somália ou o Zimbabué, entre muitos outros dignos representantes das democracias. Amado, um ministro que me habituei a respeitar, diz que esta posição dá um passo para pontes relativamente ao conflito israelo-palestiniano e, num sentido mais largo, ao cenário do Afeganistão, necessários nesta altura. Eu, para passar do respeito à admiração, tinha preferido que o Estado português assumisse que a decisão serviu para garantir uns quantos votos favoráveis à eleição para membro não-permanente do Conselho de Segurança. Até porque os dois principais concorrentes, Alemanha e Canadá, votaram contra.