Segunda-feira, 14 de Junho de 2010

 

Agora que penso nisto, há cromos que não me saem da memória. Um Vialli com uma trunfa Marco Paulo no Itália 90, um Fabbri de boca aberta, um André com um penso no sobrolho no México 86, em parelha com o bigode XXL do Carlos Manuel na página ao lado, a cara desfeita do Peter Rufai no França 98 ou o olhos a sair das órbitas do Ivanov poucas páginas a seguir. Mas também as grandes cabeleiras do Valderrama, do Polster, do Popescu, do Bento e do Emmers, aos eternos bigodes esculpidos de Eduardo Pereira, Van Tiggelen ou Alejnikov. Hoje há barba feita a lazer, sobrancelhas arranjadas, bronze de solário e cabelos perfeitinhos e cheios de gel que dão vómitos só de abrir a página. Vale a pena insistir nisto: uma caderneta não é uma GQ.



publicado por Bernardo Pires de Lima às 15:30 | link do post | comentar

 

Sofro de tal maneira de clubite aguda que dou por mim sempre muito mais entusiasmado com as cadernetas do que com os jogos das selecções em si. Para mim a época acaba quando o Sporting faz o seu último jogo. No entanto, depois de passar revista aos arquivos cá de casa, vejo que me faltam cinco cromos para acabar o Itália 90. Até fiquei branco com o calafrio que me subiu na espinha. Nunca me tinha acontecido tamanho falhanço, uma vergonha que me pode acompanhar o resto da vida, fazendo-me corar perante os meus filhos, netos e respectivos amigos. Faltam-me o americano Brian Bliss, dois gajos dos Camarões, Jean-Claude Pagal e Richard Tchakounang, o da equipa da Escócia, o Graeme Rutjes da Holanda e o John Aldrigde da Irlanda. Quem os tiver repetidos é favor dizer. É urgente desde o Verão de 1990.

 



publicado por Bernardo Pires de Lima às 15:27 | link do post | comentar

Não foi pelos seus atributos como economista que Cavaco Silva foi eleito Presidente da República, nem parece que o cargo que ocupa lhe reserve qualquer tipo de competência especial na matéria. Obteve a confiança dos portugueses porque estes acreditam nas suas capacidades políticas, não por ser um economista de renome. O mesmo se poderia dizer se fosse médico, poeta, torneiro mecânico ou jornalista.

 

DN de hoje

 



publicado por Pedro Marques Lopes às 00:09 | link do post | comentar

Domingo, 13 de Junho de 2010

Num excelente trabalho sobre o quinto aniversário da morte de Cunhal, o DN entrevistou ontem o deputado comunista João Oliveira, ao que parece símbolo do novo PCP e rapaz da minha colheita, 1979. Às tantas, questionado sobre o que é a Coreia (do Norte), Oliveira responde: "Nós, comunistas, temos uma noção de diferentes perspectivas das teorias marxistas e da forma como o comunismo é entendido. Há muita coisa que nos aproxima de muita gente e há muita coisa que nos distancia de muita gente. Aproximar-nos-á da Coreia o objectivo de afirmação anti-imperialista e o objectivo da construção de uma sociedade socialista (?), mas teremos certamente diferenças em relação ao caminho concreto que é preciso trilhar para construir essa outra realidade".

Não conseguem, por mais palha que ponham nas respostas, não conseguem. É mais forte do que eles. Já nasceram velhos, empedernidos, imutáveis e sem um pingo de honestidade para dizerem, com os dentes todos: aquilo é um regime vergonhoso, sangrento, miserável a todos os níveis e demarcamo-nos completamente do que ali se faz. Saíam tarde deste triste filme, mas pelo menos de consciência um pouco mais limpa.



publicado por Bernardo Pires de Lima às 18:48 | link do post | comentar



publicado por Bernardo Pires de Lima às 12:36 | link do post | comentar

Sábado, 12 de Junho de 2010

Electric Ladyland (1968)

Jimi Hendrix



publicado por Bernardo Pires de Lima às 13:37 | link do post | comentar

Quinta-feira, 10 de Junho de 2010

Apetecia-me escrever sobre esta homenagem tardia, muito tardia, aos antigos combatentes, mas o António Barreto já disse praticamente tudo.



publicado por Bernardo Pires de Lima às 15:14 | link do post | comentar

Um clube que monta todo um plantel à volta de uma academia e depois não consegue ganhar títulos consecutivamente, só tem de chamar os jornalistas à sala de imprensa e dizer: isto tudo foi um fiasco, não queremos sofrer mais de carlos queiroziação. Podemos ganhar os escalões juvenis todos, mas não sabemos como triunfar sucessivamente no mundo dos crescidos. É isto que o Sporting tem de provar. Ou quer continuar a brincar no jardim-escola ou a ser imperial junto dos grandes.



publicado por Bernardo Pires de Lima às 15:04 | link do post | comentar

Não tenho razões para saudosismos sobre o que quer que seja, mas confesso que me conforta ver jogadores que marcaram o meu gosto pelo futebol estarem hoje à frente de muitas equipas. Guardiola, por exemplo: amou o seu Barcelona e foi sempre um senhor a defender aquela camisola; Mancini: um símbolo da grande Samp de Vialli e Lombardo, vice-campeã da Europa, mas um senhor a defender todas as camisolas que vestiu (talvez por isso quando regressou ao Luigi Ferraris com a camisola da Lázio, tenha sido ovacionado de pé); Schuster: só me lembro dele no Atlético de Futre, mas a memória é de guerreiro; Maradona: o maior de todos e de sempre; Rijkaard: ídolo da minha infância pelo golo que marcou ao Benfica no Pratter e o melhor jogador que alguma vez passou pela sala de imprensa de Alvalade; ou ainda Zico, Van Basten, Mikhailichenko, Fernandez, entre outros. O que é que transportam: histórias, glórias, memórias, sucessos. Sem isto o futebol não presta.



publicado por Bernardo Pires de Lima às 14:41 | link do post | comentar

A futebolização do debate sobre o Médio Oriente inibe-nos, muitas vezes, de vermos outras variáveis no debate. Por exemplo, a Autoridade Palestiniana. Não é perfeita, está fragilizada desde a guerra civil com o Hamas, tem demasiadas facções, mas foi nos últimos anos o interlocutor válido encontrado por Israel e pelas potências mediadoras internacionais no processo de paz. Primeira ideia sobre isto: só reforçando a AP na Cisjordânia e em Gaza é possível inverter o declínio da situação. Aparentemente, é o que se pretende com as recentes visitas de Abbas à Turquia (2ª feira) e a Washington (hoje): a AP teme o reforço do Hamas em Gaza - por via do desbloqueio egípcio para o qual não foi tida nem achada -, um eventual apoio turco à sua reorganização, e uma vontade em capitalizar a folga política de Obama na região, conquistando para a AP uma posição que lhe renove o protagonismo na Palestina. Vale a pena sublinhar este ponto: tanto Israel como a AP olham para o Hamas como o agente provocador, criador de insegurança e perpetuador de conflitualidade.

Ainda além disto, admitindo como provável que Israel flexibilize o bloqueio nos próximos tempos - sem deixar de se proteger de eventuais rearmamentos ao Hamas - podem rolar cabeças na coligação. Se isso significa a entrada do Kadima no governo ou eleições antecipadas, veremos. O que é certo é que a responsabilização das autoridades israelitas - seja por uma pressão internacional célere e concertada; seja pela natureza do regime - será feito. Pena é que a responsabilização pública internacional, concertada, célere e implacável, não se tenha feito nem se faça ao órgão que mais mina todo o processo de paz e que mais gera instabilidade entre as partes, o Hamas. Quando o fizermos, certamente que dormiremos todos melhor.



publicado por Bernardo Pires de Lima às 00:49 | link do post | comentar

Terça-feira, 8 de Junho de 2010

Não sei o que é mais triste: se um PM que na altura devida não percebeu que o era, se um ex-PM que ainda não percebeu que o foi.



publicado por Bernardo Pires de Lima às 14:27 | link do post | comentar

Domingo, 6 de Junho de 2010

O dr. Santana Lopes, aparentemente, acusa-me de ter mentido num programa televisivo em que participo, que ele nunca vê, que detesta, mas que comenta amiúde.

Escrevo aparentemente porque, confesso, tenho algumas dificuldades em compreender a maioria das coisas que escreve no seu blog. Porém, não perco nada do que escreve: o seu espaço é a coisa mais divertida da blogosfera. Gosto especialmente dos comentários futebolísticos e da crítica cinematográfica. Já o comentário político, apesar de ser incomensuravelmente melhor que as suas performances como presidente da câmara de Lisboa ou primeiro-ministro, não me entusiasma.

 

Li várias vezes este texto e ainda não percebi qual foi a mentira que eu disse.

Estou convencido, aliás, que, hoje, quando voltar a ver o programa que nunca vê, vai perceber que eu não disse mentira nenhuma. Aliás, o dr. Santana acusa-me de ter voltado a mentir sem dizer onde e quando se deu esse, anterior possível, infeliz evento. Enfim.

 

Não me recordo - nem eu, nem ninguém - de Santana Lopes ter declarado publicamente que era preciso outro candidato à direita antes da promulgação pelo Presidente da República da lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Depreendo, que assim sendo, Santana acha que o facto de o Presidente ter promulgado a lei é o facto decisivo para não o apoiar numa provável recandidatura.

Todas as outras questões, princípios políticos, valores são desprezíveis: o que faz Santana não apoiar Cavaco Silva é o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Pois claro, não há português que não acredite nisto.

Nem eu, que não sou propriamente um apreciador das qualidades políticas de Santana Lopes, poderia acreditar que alguém que já exerceu os mais altos cargos chegaria a esse nível de indigência política.

Para que fique claro, se não ficou no dito programa: Santana Lopes descobriu agora que o tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo é decisivo para apoiar ou não um candidato à presidência.

Quem quiser pode acreditar, eu não.

 

Como é evidente nem vou comentar frases do género “é de família com posses” ou “é amigo de Passos Coelho”. São apartes dignos da triste figura em que se converteu Santana Lopes.

 

Não vejo razão para lhe enviar o meu endereço, não estou interessado em convites que me queira fazer. Também não vejo necessidade de lhe mandar o meu cv, não estou à procura de emprego nem creio que estivesse interessado no que tivesse para me propor.

 

Quanto à razão porque escrevo e falo em órgãos de comunicação social, - preocupação tantas vezes repetida pelo ex-presidente do Sporting - o sr. dr. que indague junto dos responsáveis por esses jornais, rádio e televisão. Estou convencido que tem os números de telefone e sempre poupava tempo a procurar na net.



publicado por Pedro Marques Lopes às 14:16 | link do post | comentar



publicado por Bernardo Pires de Lima às 13:19 | link do post

Teixeira dos Santos coloca-se ao lado dos que descobriam um interesse público na escuta e divulgação de conversas privadas; dos que defendiam que as comissões de inquérito deveriam substituir os tribunais; daqueles que lutavam para que matérias declaradas irrelevantes pelos tribunais pudessem constituir prova para o julgamento de quem quer que fosse - não tenho dúvidas de que estes vão ser, agora, convictos apoiantes das declarações do sr. ministro, ou será que o Estado de direito só deve defender-se quando nos dá jeito?

 

Dn de hoje



publicado por Pedro Marques Lopes às 03:24 | link do post | comentar

Sábado, 5 de Junho de 2010

A ideia terá o seu interesse. Os intervenientes serão certamente gente superior. Mas chamar a uma homilia política intermitente clube dos pensadores é de uma arrogância muito típica dos portugueses. Quando faltam pergaminhos, toma lá de chamar doutor.  



publicado por Bernardo Pires de Lima às 23:08 | link do post | comentar

 

The Essential (1995)

Charlie Parker



publicado por Bernardo Pires de Lima às 13:24 | link do post

Sexta-feira, 4 de Junho de 2010

A indignação de Santana Lopes com a promulgação da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo é tanta como a minha vontade de votar nele nas presidenciais.

 

Francisco Mendes da Silva



publicado por Bernardo Pires de Lima às 19:17 | link do post | comentar

A demagogia e o populismo do Bloco de Esquerda parece não ter limites. O cartaz, com as fotografias dum grupo de cidadão e respectivos ou imaginários salários, que espalharam pelas ruas é um nojo.

É a típica propaganda de extrema-esquerda: apelo aos mais mesquinhos sentimentos, acusações veladas, desrespeito total pela privacidade, incitamento ao ódio. Está lá tudo.

A grande vantagem é que a cada dia que passa a máscara de respeito pela democracia liberal vai caindo. Assim fica tudo mais claro.



publicado por Pedro Marques Lopes às 18:04 | link do post | comentar

Quarta-feira, 2 de Junho de 2010

Discordo do argumento que defende ser a actual crise em Gaza um problema grave para a administração Obama. Certamente que qualquer acção menos conseguida de Israel incomoda muitos sectores da administração, mas esta não é monolítica nem homogénea. As sensibilidades sobre o Médio Oriente são diversas e convivem há muito no Departamento de Estado e no Pentágono. No entanto, tendo em conta a folga política que os EUA conquistaram nos últimos meses face a Israel e sabendo que dois dos seus grandes aliados estão em clivagem (Ancara e Telavive), tal vai permitir a Obama e a Clinton assumir um papel de mediação entre turcos e israelitas no imediato. Um papel de mediação que encaixa bem na condução dos negócios estrangeiros da actual administração. Por outro lado, a ter sido completamente esvaziada a reunião de Washington entre Obama e Netanyahu, será Abbas que já no dia 9 terá o protagonismo quando se deslocar à Casa Branca. Quero dizer com isto que a actual administração rejeita a aliança histórica com Israel? Não. Quero dizer que a margem e a folga que os EUA têm hoje na região lhes pode permitir recuperar um papel de mediador e influenciador do processo de paz - e já agora do nuclear iraniano - com outra capacidade. Foi isto que Obama sempre desejou.



publicado por Bernardo Pires de Lima às 22:37 | link do post | comentar

Vou estar hoje, no Edição Internacional da Renascença, a debater a crise de Gaza com a Ana Santos Pinto (IPRI, U. Nova), uma das poucas pessoas em Portugal que percebe verdadeiramente de Médio Oriente. É às 23.30.



publicado por Bernardo Pires de Lima às 17:20 | link do post | comentar

Terça-feira, 1 de Junho de 2010

A decisão não foi consensual dentro do governo israelita, o que só mostra como deve estar próxima a remodelação ou como deve subir nas próximas sondagens a Tzipi Livni. Mas adiante. O uso da força foi obviamente desproporcionado e a legalidade da intervenção também deixa muitas dúvidas, por via da localização marítima da embarcação. Aguardemos por um inquérito. Por outro lado, quer Israel, quer o Egipto, deram alternativas às diversos embarcações com ajuda humanitária (parto do pressuposto que é este o conteúdo dos barcos), podendo esta chegar a Gaza desde que canalizada pelos dois países. Esta alternativa foi obviamente recusada. Claro que houve provocação e parece-me que Israel cai na armadilha que o queria ver sob a pressão internacional ruidosa e quase sempre apenas focada em si - não me lembro de manifestações em frente às embaixadas da Coreia do Norte pela morte recente de 46 sul-coreanos, lembram-se?

Tudo isto foi atingido e se tudo correr como o previsto, nova guerra em Gaza estará para breve e desta vez com a Turquia a assumir um papel de beligerante ou, pelo menos, de suporte do Hamas (com a Síria e o Irão). Quero também ver como se porta a NATO se isto acontecer, porque, por razões óbvias, não espero grande coisa da União Europeia.

 

ps. Tenho muito pouca paciência para ver este e outros assuntos quentes como um Sporting-benfica. E estou-me perfeitamente a borrifar para os conceitos de direita e esquerda quando aplicados à política internacional. A guerra de trincheiras acabou em 1918.



publicado por Bernardo Pires de Lima às 17:48 | link do post | comentar

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