Quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Estive a ler os jornais. Quase todos. Colocados de lado, o que me ficou? Uma absurda imagem na página quatro do “Público” de ginecologistas vestidos de piratas na Malásia, numa ilha a 700 quilómetros de um congresso pago por um laboratório. Tenho um amigo neste ramo da medicina. Não tenho ilusões. Trata-se de uma profissão com bastante reveses e sem grande glamour, nomeadamente pela manhã. As viagens aos congressos sempre arejavam. Olho para a foto, que o jornal escarrapachou a quatro colunas. Há um primeiro elemento de surpresa. Que estão a fazer piratas carnavalescos numa notícia de ginecologistas? Depois de questionar a pertinência surge a motivação. Quem deu a foto ao jornal? Só pode ter sido um participante da viagem... Talvez a mulher\marido do ginecologista pirateado. Se baixar o olhar, o título da caixa diz precisamente: “Casos só conhecidos se alguém dá com a língua nos dentes”. Temos pois um plot. Uma traição. Uma língua nos dentes no mundo da ginecologia travestida de pirata.
Pousemos de novo o olhar sobre a foto. Sempre foi um mistério porque é que há ginecologistas-homens. Se fosse mulher ia a uma médica. Mulher. Mais que não fosse por questão de empatia biomecânica. É uma dor como quem vai por aqui, percebe? Não? Na foto há sete piratas. Quatro malaios – profissionais da diversão e que ganham a vida a vestir-se de piratas para congressistas tristes e que estão com um ar divertido. E três portugueses, dois são homens, com uma cara altamente constrangida e uma ginecologista na maior louca, numa de já que estamos aqui é para partir seus atados. Piratas malaios e ginecologistas portugueses. Um velho ditado. Trabalham onde os outros se divertem. É, leio os jornais e constato que a pirataria e ginecologia voltaram a tornar-se de novo actividades fora-da-lei (hei, Chefe Lopes! Este Quuuuase foi sério!).
Luís Pedro Nunes