Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

A candidatura de Portugal a membro não-permanente do Conselho de Segurança pode ser vista de duas perspectivas. Se atendermos à valorização das Nações Unidas por parte do PS (recordemos todo o debate nacional aquando da guerra do Iraque), este deveria ser um objectivo central da política externa do actual governo. A concorrência feroz aos dois lugares em disputa (Canadá e Alemanha, sendo este último praticamente certo) mereceria, assim, do orçamento para 2010 mais do que os 1,5 milhões de euros destinados à candidatura. Além disso, em Portugal, ninguém deu por qualquer envolvimento da sociedade neste objectivo estratégico, não existiu debate algum sobre o tema e, tampouco, o governo tem dado cavaco às oposições sobre o que tem feito. Verdade seja dita que as oposições também não têm feito o que lhes compete. Por outras palavras, e de acordo com esta perspectiva, a magnitude do desafio mereceria muito mais por parte deste governo, da presidência da república, das oposições, dos media e dos institutos de investigação. Se, como parece que acontecerá, ficarmos a meros 15 votos de garantir o lugar, deve haver uma prestação de contas sobre o falhanço. E, diga-se desde já, com o governo à cabeça, ninguém está verdadeiramente imune à crítica.

 

De um outro ponto de vista, podemos sustentar que 1,5 milhões de euros orçamentados são realistas face à situação do país e às expectativas da nossa diplomacia face à capacidade dos nossos dois directos concorrentes. Daí as baixas expectativas em paralelo com a ausência de debate público, o que faz com que um falhanço da nossa diplomacia não implique grandes críticas ao governo. Contudo, esta lógica reflecte duas enfermidades crónicas presentes no nosso debate político: a nulidade de discussão pública sobre as grandes questões estratégicas da nossa política externa; a completa falta de vontade política dos decisores portugueses em formular como desígnios políticos transversais algumas matérias importantes à valorização do prestígio do país no plano internacional. Luís Amado definiu há pouco tempo o debate político nacional sobre política externa de uma confrangedora pobreza. Pese embora a consideração que me merece, também ele contribuiu para ela.

 

Post originalmente publicado no Delito de Opinião. Um abraço ao Adolfo Mesquita Nunes e ao Pedro Correia.

 



publicado por Bernardo Pires de Lima às 22:09 | link do post | comentar

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