Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010

Já repararam, certamente, que está em campo a reemergência do eixo franco-alemão. Primeiro, através da dimensão financeira, quando coloca em cima da mesa a revisão do Tratado de Lisboa para prever punições aos incumpridores orçamentais, que pode ir até à perda do direito de voto no Conselho, passando por multas e perdas de fundos comunitários. Admito que a gestão europeia em relação à Grécia implique medidas diferentes daqui para a frente, mas o que Paris e Berlim sinalizam politicamente é que estão na disposição de fomentar uma fissura entre Estados-membros através de uma proposta que irá acentuar uma divisão entre pequenos, médios e grandes. Por outro lado, acaba por ser uma forma de obrigar a Comissão a vir a jogo para garantir o equilíbrio entre todos o que, provavelmente, provocará choques públicos entre Barroso, Sarkozy e Merkel, com alinhamentos pró e contra uns e outros. Tudo o que seria indesejável nesta altura é que, por cima de crispações económicas e financeiras entre europeus, se formasse uma divisão política ainda mais complicada. Tudo pelo regresso da velha liderança.

Segundo, através de uma consonância mínima no discurso sobre a imigração, em particular através do reconhecimento (Sarko à bruta, Merkel com mais delicadeza) do falhanço das políticas de integração das minorias. Não vale a pena esconder o óbvio: ambos enviam um sinal inflexível para Ancara, mas também assumem o falhanço do último alargamento à Bulgária e Roménia. Este é um debate que se vai acender nos próximos meses: do lado europeu, certeza na desconfiança da adesão turca liderada por Paris e Berlim; mais autonomia e diversidade nas acções externas de Ancara. Em último caso, e por seu lado, um congelamento dos futuros alargamentos aos Balcãs. Já aqui defendi que um conjunto de acções turcas nos últimos meses poderiam acelerar o processo de adesão. Hoje, devo reconhecer, que estamos mais longe de assistir a isto. O que releva ainda mais a importância da NATO: o único fórum onde Ancara está com europeus e norte-americanos num plano onde os interesses comuns são partilhados à mesa.

Só que isto tudo é muito bonito, mas Merkel e Sarkozy esquecem-se de um pequeno pormenor: as suas reeleições estão longe de estar asseguradas e a oposição interna não partilha de muitos destes pontos de vista.



publicado por Bernardo Pires de Lima às 20:30 | link do post | comentar

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