Desculpem lá destoar do 'mainstream'! Mesmo. Muito....
Destoo dos que atacam o salário que terá o futuro presidente do Conselho Geral de Supervisão da EDP. A EDP será pela primeira vez uma empresa privada e a escolha dos seus órgãos sociais foi feita pelos seus accionistas, privados por sinal. Escolheram Catroga para agradar ao Governo? Provavelmente. A questão é saber se o Governo deixará de fazer o que tem de fazer pelo simples facto de Eduardo Catroga passar de membro do Conselho Geral de Supervisão da EDP (onde está há dois anos) a presidente do CGS.
Destoo dos que levantam suspeitas antecipadas por Catroga ter escrito o programa eleitoral do PSD, ser próximo do primeiro-ministro e ter sido escolhido por um conjunto de accionistas privados para trabalhar numa empresa privada. Onde estavam, muitos de vós socialistas, quando a Mota Engil escolheu Jorge Coelho para CEO em plena vigência do Governo maioritário de Sócrates. Por ter ido trabalhar para uma empresa privada, ele, Jorge Coelho, destacado militante do PS deve ser tratado como um criminoso? Um incompetente? Está em "conflito ético"? O que disse na altura António José Seguro quando a Mota Engil contratou o seu camarada Jorge Coelho? E quando a Mota Engil, já com Jorge Coelho como CEO, ganhou concursos abertos pelo Estado, que tinha Sócrates como primeiro-ministro? Alguém se esqueceu que Jorge Coelho foi director da primeira campanha eleitoral de Sócrates em 2005? Eu não me esqueci de nada disto mas, acredito, que tanto num caso (Coelho) como noutro (Catroga) a passagem pela política não deve dar cadastro. Se houver uma suspeita de crime ou qualquer espécie de favoritismo deve ser investigada até à última consequência.
Quanto ao essencial: o que me custa não é Eduardo Catroga receber 700 mil euros por ano numa empresa privada. Deve, aliás, ser enaltecida a ideia de que um septuagenário pode continuar na primeira linha. O que me custa é Catroga poder acumular um salário desta dimensão com uma pensão de 9 mil euros por mês. Não sei bem o que pode ser feito. Mas lá que custa, custa.