Sobre a comunicação social, ao contrário do Pedro e do Pacheco Pereira, não me surpreende nada o que tem acontecido. Aliás, não é de hoje e não foi, em nada, influenciado por este Governo. Se olharmos para a última década temos três movimentos claros: concentração de meios em poucos grupos, grupos cada vez mais expostos ao crédito e dependentes da oscilação dos mercados e, por fim, informação cada vez mais permeável à fragilidade financeira dos patrões dos media. Repito: não é de hoje.
Sobre o capital angolano estranho os que se indignam agora com o que é Angola. Então e quando entraram, à época, no maior banco privado português (BCP)? E quando entraram na petrolífera nacional (Galp)? E quando entraram no BPI e na Zon? Só se é virgem uma vez, mesmo quando se perde a virgindade já velho.
Sobre o Pedro Rosa Mendes não sei o que aconteceu. Sei uma coisa que para mim é clara. Tão clara para mim como para ti, Pedro, como o é para o Pacheco Pereira. Quem faz opinião sabe-o: não vais a casa do patrão dizer mal dele. E é uma coisa tão clara, tão clara, tão clara que nunca li uma crítica do Pacheco Pereira no "Público" ao engenheiro Belmiro, nunca o ouvi criticar Francisco Pinto Balsemão na Quadratura do Círculo ou arrasar com a Cofina nas duas páginas semanais da Sábado. O mesmo se aplica a todos os comentadores, de todos os meios. Não dizes mal do patrão que te abre a porta de sua casa. Quando entrei no jornalismo, em 2002, tive uma grande entrevista com o senhor engenheiro Magalhães Crespo, presidente do Conselho de Administração da Renascença. Em cinco minutos explicou-me o essencial: todas as notícias que envolvem a Igreja Católica são muitos bem filtradas. Podia ser de outra forma? Não. Daí, eu ser um claro defensor da proposta de Miguel Relvas: privatizai a RTP e depressa e acabai com os "tentáculos" que outros tiveram, alimentaram e nunca abdicaram.