Sábado, 27 de Outubro de 2012

O Nuno toca aqui num ponto importante. Porque está a "Europa" afastada do debate eleitoral nos EUA? É isso mais um sintoma a acrescentar ao "declínio europeu"? Como diria o outro, concordo com a primeira parte da pergunta, discordos de três vírgulas e sou contra o ponto de interrogação. Por partes. Em primeiro lugar, o "declínio europeu" (e a perda de centralidade da Europa na política externa dos EUA) é um debate intelectual e geopolítico na foreign policy community norte-americana com pelo menos vinte anos. Basta investigar uns tempos as principais revistas e os principais scholars para chegar a essa conclusão. Começou em 1989 por razões evidentes e foi estimulante em grande parte da década de 90. Retomou o impulso após o 11 de Setembro, mas o argumentário da discussão pouco se alterou. Zakaria não inventou nada, muito menos os escuteiros que o tentaram imitar. Hoje, quando "culpamos" os EUA por não centrar uma parte do debate de política externa da campanha na Europa, falhamos na análise da percepção americana. Isto foi evidente há dois dias, num debate a que assisti, com Bruce Riedel, Bob Kagan e Martin Indyk aqui em DC. Quando um jornalista suíço lhes perguntou porque estava a Europa fora do debate, todos responderam: porque não há problemas de segurança na Europa que justifiquem a atenção de dois candidatos à Casa Branca. O ângulo é invariavelmente securitário, de hard power: se há ameaça de Moscovo, então é central (como foi durante décadas). Como não existe nenhuma grande ameaça (de dimensão nuclear) a não ser outras de dimensões controláveis pelos europeus, porque raio devem os candidatos à Casa Branca ter um discurso sobre a Europa?

Outro ponto diferente, e a meu ver mais próximo da pertinência, reside no efeito que o colapso da zona euro pode ter na economia americana. Para mim, este é um ponto válido e que nenhum candidato quer abordar. E, que, em última análise, é um problema de segurança nacional para os EUA por prejudicar a sua recuperação financeira e económica. E é válido por duas razões. Primeiro, porque nenhum dos dois tem peso nas decisões europeias - ora isto diz mais do "declínio dos EUA" do que do "declínio da Europa", para usar a mesma expressão. Isto foi evidente aquando das tentativas que Tim Geithner fez junto dos líderes europeus nos últimos meses. Segundo, porque não tendo peso, não vão fazer campanha no Ohio, na Flórida, no Colorado ou no Wisconsin dizendo, "eles ali no outro lado do Oceano estão a afundar-se, isso vai ser terrível para a nossa economia (e vai), mas eu (Obama ou Romney) não posso fazer nada". Era um tiro monumental em cada um dos pés.

Por fim, o argumento que olha, primeiro, para o desejo dos EUA de serem pivot no Pacífico e, segundo, disto estar a ser feito em prejuízo da Europa e do interesse de Washington no velhinho continente. Há factos que desmentem as duas premissas, mas volto a esse tema num outro post.



publicado por Bernardo Pires de Lima às 02:30 | link do post

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