Sexta-feira, 24 de Julho de 2009

É inevitável o multilateralismo do poder político no pós-crise?

Pode surgir uma ordem económica mais equilibrada em que o poder efectivo das novas potências emergentes esteja contemplado nas diversas instituições que regem as relações económicas internacionais (FMI, Banco Mundial, OMC). Vai haver uma distribuição mais consentânea com o real poder económico de potências que tradicionalmente não tinham esse lugar à mesa, com esse estatuto. Nesse sentido essa nova ordem económica reflecte uma distribuição de poder, o que não significa que essas potências tenham, noutras dimensões do poder que não o económico, o estatuto de grande potência.

 

O reinado de influência norte-americano está então para durar.

A posição dos EUA no sistema internacional, no plano das diversas dimensões do poder, não será beliscada por nenhuma das potências emergentes. Podemos dizer que a China, no plano económico, pode-lhe morder os calcanhares, mas isso não se traduz na capacidade, como a norte-americana, de influenciar os acontecimentos no mundo por essa via. São poderes diferentes e a ordem não sofre com isso, não deixa de ser unipolar por isso.

 

Os países emergentes têm ainda outras preocupações...

Os BRIC não são potências universais. Os EUA são uma potência global, conseguem influenciar os assuntos em todas as regiões do mundo e têm ali interesses. Os emergentes são, até ver, regionais. E dentro dessas regiões têm também diferentes poderes: a China tem uma amplitude de acção diferente e maior da Índia naquela região, a Rússia tem uma capacidade maior de influência na Ásia Central, jogando também ali o equilíbrio com a China. Os EUA nessa matéria não têm rival - a Europa tentou ser em determinados domínios, sem resultar. Os EUA são até promotores da partilha de poder: foram eles que promoveram organizações internacionais, o G20, etc. O poder deles não diminui por ser partilhado. E não têm rivais também num domínio que não é muito quantificado que é o poder cultural ["soft power"].

 

(Como só está disponível na versão em papel, ficam aqui algumas ideias minhas sobre um possível cenário para o pós-crise, hoje no Jornal de Negócios)

 

 



publicado por Bernardo Pires de Lima às 12:30 | link do post

Bernardo Pires de Lima

ver perfil
ver CV
ver posts

O que ando a fazer

Livros
- Blair, a Moral e o Poder

Jornais / Revistas
- DN
- The Majalla Magazine

Academia
- IPRI
Pedro Marques Lopes

ver perfil
ver CV
ver posts

O que ando a fazer

Rádio
TSF
- Bloco Central

Jornais
- A Verdade
- DN
Lei da bola

Televisão
- Eixo do Mal
- Produções Fictícias
Francisco Proença de Carvalho

ver perfil
ver CV
ver posts

O que ando a fazer

Televisão
Económico TV
- Conselho Consultivo - 3ªs, 9.30h,

Rádio
Rádio Europa
- Descubra as Diferenças

Outros Blogs
- 31 da Armada
Francisco Teixeira

ver perfil
ver CV
ver posts

O que ando a fazer

Jornal
- Diário Económico

Academia
- ISCSP
posts recentes

"Não há bem que sempre du...

Não gosto de despedidas, ...

Au revoir

Fim

A questão alemã (II)

Dizia Amaro da Costa com ...

Razão e ambição

Autopunição

A Constituição

Sonho eterno

arquivos

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

tags

bernardo pires de lima

bpn

cavaco

francisco proença de carvalho

francisco teixeira

nato

pedro marques lopes

presidenciais

ui

uniao de facto

todas as tags

subscrever feeds