Deputados do PSD/M abandonaram o hemiciclo na apresentação de voto de pesar pela morte de Miguel Portas. (DN)
A economia francesa não é competitiva como teria de ser, e sem alguns compromissos Hollande está limitado nas exigências. Sobre isto, três pontos: este eixo é determinante mas não esgota a política europeia; o ocaso da Comissão prejudica sobretudo os pequenos Estados, como Portugal; a crise grega revela a gestão calamitosa de uma moeda única sem escudo político comunitário à altura.
Hoje no Diário de Notícias
Os movimentos sociais e populares têm a força que quiserem ter e a validação que as suas ideias e propostas merecerem. Mas para isso têm de ir a jogo. Política adulta faz-se assim.
Hoje no Diário de Notícias
Quando falarmos de política externa temos que nos desabituar de nela incluir a Europa: os líderes que não perceberem isto não estão preparados para os desafios do presente. Mas há uma consequência lógica a tirar deste quadro. A intergovernamentalidade não funciona mais. Não consegue dar resposta durável, confiável e robusta às soluções encontradas.
Hoje no Diário de Notícias
Se o quadro partidário sofrer estas mutações ou a França não melhorar, veremos se Hollande terá força em casa para sequer tentar alterações na Europa. Dou o benefício da dúvida, mas estou pronto para o realismo.
Hoje no Diário de Notícias

Sarkozy encarou este debate como se o contador estivesse a zero. Como se as sondagens não fossem todas desfavoráveis e o sentimento de sarkofobia não existisse. Estratégia arriscada mas menos calculista: ambos foram iguais a eles próprios. Sarkozy enérgico, aguerrido, com mais jogo de cintura política; Hollande mais contido, sereno, com alguma dificuldade de articulação das propostas. O debate foi transparente sobre os perfis.
Hoje no Diário de Notícias
Por um lado, por serem eles próprios incapazes de se reformular, repensar, readaptar. Por outro, por se refugiarem até em argumentários das franjas como tábua de salvação. Por fim, são vítimas da falta de bom senso político. Não de liderança, mas de bom senso. Arruinar sociedades perto da ruína e a contrarrelógio é um suicídio. A política não pode ser reduzida a uma folha de cálculo. Facilmente terá os dias contados.
Hoje no Diário de Notícias
Cheguei ontem de Bilbao com a sensação do dever cumprido, ainda sem voz e com a cabeça a rebentar. Foi uma viagem emotiva, um aquecimento partilhado em festa com toda a cidade e um jogo grande. Não me lembro de um adversário que nos tenha recebido tão bem nos últimos anos, eu que nem sou de amizade fácil com a vermelhada. Isto, fora do campo. Já lá dentro a história foi outra. Um galinheiro que conseguiu ser pior do que o que o de carnide. Já sabíamos que ia ser difícil com um San Mamés tão unido, mas assim foi cruel. Coisa que não aconteceu em Alvalade. Quatro mil bascos com todas as condições de conforto e visibilidade. É óbvio que não foi por isto que Bucareste não vai constar no currículo, mas houve um Bilbao fora e dentro do estádio. Cá fora sempre a festejar. Lá dentro e com o apito final, só lágrimas. Muitas lágrimas. Amanhã lá estarei em Alvalade. A luta continua.
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No início do ano, Joe Biden resumia assim o mandato de Obama, numa ação de campanha no Texas: "Ben Laden está morto e a General Motors está viva." Pese os méritos da súmula, os seus termos estão politicamente invertidos: é eleitoralmente mais relevante a salvação da indústria automóvel do que a morte de Ben Laden. Não só porque Romney foi contra a primeira decisão, mas porque a segunda vai ser tratada pelos democratas com pinças e não como um assunto permanente e useiro.
Ontem no Diário de Notícias
Romney tem de profissionalizar o seu estatuto de candidato. Tem de assumir um discurso nacional e menos sectário. Tem de trazer as qualidades de empresário e conhecedor da economia para o topo da agenda.
5ª no Diário de Notícias
O assustador em França e noutros países europeus é que as vitórias dos partidos sistémicos e tradicionais ou estão reféns dos extremos para governar ou estão condicionados pelo seu crescimento parlamentar. Mais do que uma vitória do radicalismo, a Europa vive hoje a derrota da moderação.
Hoje no Diário de Notícias
Como se recordam, a receita de Miterrand foi catastrófica para os franceses e contribuiu para legitimar as polémicas receitas da senhora Thatcher e, mais tarde, a "terceira via" europeia. Se parte desta história se repetir - porque Hollande não é Mitterrand -, o socialista terá vida breve no Eliseu, a França confirmará o seu irreformismo e a senhora Merkel terá mais condições para vencer as eleições alemãs no ano que vem.
Hoje no Diário de Notícias
Esse Afeganistão continuará a ser um trampolim terrorista para europeus e norte- -americanos, mas também para Caxemira, Paquistão, os cinco "stans" centro-asiáticos, o Leste do Irão, Xinjiang na China ou as repúblicas russas do Cáucaso do Sul. À China (hoje com comércio com os "stans" de 25 mil milhões de dólares - 527 milhões em 1992), Rússia e Índia, o caos e o terror são tudo o que não interessa. Washington devia fazer muito mais para as envolver numa solução afegã.
Hoje no Diário de Notícias
Este intervalo mediático revela duas ideias. Uma é que chegou a hora de se transformar a ferida aberta pós-Mubarak (secularismo vs. islamização) no desenho constitucional que amarrará o sistema político deste Egito. Esta tensão vai crescer à medida que um lado exclui o outro. Outra revela a fragilidade da união anti-islâmica e dos apoios externos à sua organização. Terão Líbia e Síria sugado todos os recursos materiais e políticos do Ocidente?
Hoje no Diário de Notícias
A somalização da Guiné-Bissau é uma derrota da política externa portuguesa, da CPLP e da ONU. Toda a gente sabe o que se passa há anos - há até quem "pressinta" os golpes - e ninguém mexeu uma palha. Não é, na verdade, caso único.
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É na destruição do sentimento de inevitabilidade de uma confortável vitória de Hollande que toda a sua campanha se moverá. Começou com um remake da "carta a todo o povo francês" - lançada por Miterrand para a reeleição de 1988 -, olhando assim para o centro, mas com um conteúdo marcado pelas ameaças, medos e incertezas que a sua derrota trará. Sarko corteja a direita da autoridade e o imaginário da grande França, sabendo que este tem adeptos para lá do gaullismo.
Hoje no Diário de Notícias
A narrativa que desenhar para fragilizar Obama daqui em diante será a fórmula agregadora do seu sucesso. Entre os evangélicos, como base mobilizada no pragmatismo de tentar tirar Obama do trono; entre os hispânicos, em estados como Florida, Colorado, Arizona ou Nevada, puxando talvez de um joker para vice-presidente (Marco Rubio?); e no voto feminino, onde Obama leva larga vantagem. Até aqui, Romney foi pouco mais que desastroso nos três sectores. E eles vão ser fundamentais em novembro.
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De acordo com o Global Language Monitor, plataforma que cobre mais de 50 mil fontes de informação à escala mundial, a expressão "ascensão da China" foi a mais lida neste século, superando "11 de Setembro", "guerra do Iraque", "eleição de Obama" ou "morte de Ben Laden". A proliferação bibliográfica acompanhou o surto: numa busca ao amazon.com, encontro mais de seis mil livros sobre o assunto, tornado no grande filão das relações internacionais.
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O tom do encontro na Casa Branca afasta, porém, os dramatismos da insegurança internacional e centra a conversa nas dinâmicas internas. O Brasil precisa de recuperar a sua indústria (o seu peso na economia nacional caiu de 16% para 12% entre 1995 e 2011) e criar uma geração altamente qualificada em inovação, ciência e tecnologia, essenciais a grandes sectores da economia como a energia, agricultura ou engenharia.
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A ver se nos entendemos de uma vez por todas: uma vitória do Sporting na Europa não é uma vitória "do futebol português". É uma vitória do Sporting e dos sportinguistas. Nossa. Para nós. E de mais ninguém.
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O que Cameron não diz é que a retórica de Thatcher serve um propósito bem diferente de 1982: o potencial de exploração, produção e exportação de 60 mil milhões de barris que a bacia das Falkland aparentemente tem. Londres sabe que, hoje, é sobretudo isto que está em causa e que dificilmente Buenos Aires se atreverá a nova invasão, mesmo apoiada na América Latina. E com o atual preço do barril, é bem provável que a tentação por novas Falklands prolifere e as disputas territoriais e marítimas aumentem. Os juristas da especialidade vão ter muito com que se entreter.
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Ando numa nostalgia preocupante e que me consome os neurónios e as entranhas. Nunca me deu para isto e sempre fiz alguma questão de não sair ao meu pai nesta matéria. No resto, tudo bem. Gosto de olhar para a frente, de ir à procura de chatices e desafios. Mas enquanto a família cresce e novos sócios do Sporting vão dominando as atenções, começo a ser invadido por tudo menos pelo futuro. Nesta altura da Páscoa é o desastre. Lembro-me de cada um dos meus amigos da escola que deixava para trás antes dos míticos quinze dias de férias. Onde é que eles estão? Os amigos e os quinze dias? Não estão. E não voltam. Onde estão os lanches em casa dos avós ao domingo? Não estão e não voltam. Onde estão as fugas de bicicleta pela quinta dos ingleses até à praia de Carcavelos? Não estão e não voltam. Isto de ser adulto é a pior coisa que inventaram. A pior. Tirem-me deste filme. Tenho saudades de tudo e o pior é que nada voltará a ser como antes. Nada.
Para já pode chegar, mas de futuro é muito pouco. Como poucos são os seus conselheiros para a Ásia. Apenas três e dois deles vindos da Administração Bush (Evan Feigenbaum e Aaron Friedberg). O outro é Kent Lucken, diretor do Citigroup e um indefetível de Romney desde Massachusetts. Muito pouco para um continente tão importante.
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Obama e o seu staff ideológico para a temática (Hillary Clinton, Susan Rice, Anne-Marie Slaughter, Samantha Power) cedo traçaram duas linhas de ação: restaurar a imagem diplomática norte-americana beliscada nos anos Bush e recolocar o Conselho de Segurança no centro da gestão das grandes questões de segurança internacional (Líbia, Síria, Irão).
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A verdade é que os BRIC sem a China não teriam qualquer impacto global. A China representa mais de 70% do PIB gerado na última década pelos BRIC, as suas exportações mais do dobro dos outros três juntos. Enquanto que Pequim tem uma quota de 9% do PIB mundial, Brasil, Índia e Rússia têm em conjunto 8% (vale a pena lembrar que os EUA têm 23%). Os BRIC são a China e mais três, não uma quadra entre iguais.
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Uma das qualidades que mais aprecio nos meus amigos é o seu total desinteresse pela política. Eu explico. A maior parte deles não tem, não quer e não perde dois segundos com qualquer assunto de congresso, de cozinha, de corredor ou de marquise política. Vivem há mais de três dácadas noutra. Ou seja, na sua. Na deles. É louvável. Às vezes acho mesmo que eu sou a única ligação que têm ao badalhoco mundo dos assuntos políticos, o que faz de mim uma ave absolutamente rara no meio deles. Seria ainda mais rara se eu fizesse alguma questão de falar de política (de cá ou de além mar) quando estou com eles. Não faço. Graças deus e a Millôr (mais ou menos a mesma entidade) que não faço. Nunca fiz. Deve ser por isso que somos todos bons amigos há tantos e bons anos. A política nunca conseguiu passar da ombreira da porta. E assim vai continuar. Amizade é coisa demasiado séria para ser perdida para assuntos menores.