Francisco, não me parece que não ter dinheiro para sustentar a família nem para pagar a renda da casa possa ser considerado um estímulo, mas deve ser ignorância minha.
Esta história de retirar os feriados só tem um nome: cretinice. É uma cretinice pensar que se aumenta a produtividade, é uma cretinice mudar a memória por decreto, é só mesmo uma cretinice.
O Hollande deve ter vindo a Portugal durante a última campanha eleitoral. Aprendeu que se pode prometer este mundo e o outro (nem vale a pena falar da história dos subsídios e das "gorduras") e depois assobiar para o lado.
Para bem dos franceses, pelo menos que daqui em diante governe bem e não imite também a completa catástrofe que é a governação que temos em Portugal.
Mirem-se no exemplo dos resultados de Atenas.
A foto neste artigo deve estar errada. queriam colocar o ministro do Saddam e puseram a do Ministro Gaspar. Tudo o que vem no artigo é tão, tão estapafúrdio que só há duas possibilidades: ou é a gozar ou alguém está com problemas de ligação à realidade.
Entretanto, em Beja o Primeiro-Ministro diz outra coisa.
É tudo demasiado mau.
"Repor subsídios vai depender de margem orçamental" , "Subsídios de Natal e Férias só em 2018".
Organizem-se, por favor. Dá para não brincar com a vida das pessoas, por gentileza?
The guys we were stealing from in "The Wire" (2002) are the Greeks. In our heads, we're writing a Greek tragedy, but instead of the gods being petulant and jealous Olympians hurling lightning bolts down at our protagonists, it's the Postmodern institutions that are the gods. And they are gods. And no one is bigger.
David Simon (criador do The Wire)
Um assessor do Ministro Miguel Relvas escreve um texto a destratar o recém nomeado presidente da Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública, João Bilhim. Sabendo que essa nomeação é da responsabilidade directa do Primeiro-Ministro e do Ministro das Finanças, devemos presumir que o coordenador político do Governo está contra essa nomeação ou que o assessor se diverte a criticar a o Primeiro-Ministro durante as horas em que devia estar a trabalhar para o Governo?
Não me dou mal com o meu país. Portugal não me tem tratado mal, verdade seja dita. Não é que sejamos propriamente amigos muito chegados, não me esqueço da forma como ele tem tratado a maioria esmagadora dos meus irmãos de berço. Gente que lhe dedica um amor assolapado, uma paixão irracional. Cidadãos capazes de dar a vida por uma ideia que nunca se cumpriu e, mais do que certamente, nunca se cumprirá. Homens e mulheres que fugiram da miséria para terras onde puderam matar a fome aos filhos e se reúnem em cafés de lugares longínquos, que os tratam como nunca Portugal os tratou, a beber umas Sagres e a comer uns pastéis de bacalhau a suspirar por um pedaço de céu lisboeta, uma courela minhota ou a morrer de angústia por não verem a imensidão da planície alentejana. Pois é, não sou como aqueles tipos que dizem que um bandido qualquer é um porreiro porque o estupor uma vez lhes emprestou cinco tostões para comprar pão: “Bem sei que o Costa é um pulha mas a mim nunca me fez mal”. Para esse peditório não dou.
Seja como for, nunca me apeteceu emigrar. De qualquer maneira serei sempre português mesmo que fuja daqui para fora, que me esqueça da minha língua, que o espaço que ocupamos desapareça no oceano ou que um chinês qualquer leve o bacalhau, os pastéis de nata, o Pessoa e o futebol para a província de Heilongjiang (não procure, existe mesmo).
Tenho reparado, porém, que andam para aí uns rapazes com dúvidas sobre qual é de facto a sua nacionalidade, e vai daí resolveram espetar na lapela umas bandeirinhas com as cores pátrias. Estes cidadãos levantam-se de manhã, tomam banho, digo eu, e enquanto se esfregam, perguntam-se: “De onde é que eu serei?” Carregados de dúvidas, começam-se a vestir e vêm o pin verde e vermelho: “Oh pá, é verdade, sou português. Deixa-me cá pôr isto para ver se não me esqueço”. Será assim como um tipo que veste todos os dias uma camisa com um arco-íris para se recordar que é gay ou põe um papelinho no anel para não se esquecer de respirar ou um post it na carteira para que não se lhe varra que é do Sporting. O que é assim a atirar para o estranho, já que estes desmemoriados seres são todos ministros ou responsáveis governamentais ou estatais. Posso estar enganado, mas na minha ingenuidade tinha para mim que eram exactamente estes cavalheiros que nunca deviam ter dúvidas acerca de para quem trabalhavam.
Claro que posso estar a ser injusto. Às tantas, como somos um bocado distraídos, querem que não existam dúvidas que somos governados por portugueses e não por Alemães ou Liberianos. Há que dizer que se for essa a razão compreendo.
Também pode ser moda. Bem sabemos como às vezes aparecem modas cretinas, o que vale é que passam depressa.
Publicado na edição da Life de 29 de Março
Está a correr tudo bem. Era este o plano, não era?
Quando as empresas não tiverem lucros nenhuns e tiverem despedido os empregados todos aparece um santinho e pimbas fica tudo jóia. Enquanto o santinho não vem cortam-se mais salários na função públca e desta vez, para que haja justiça na nossa conhecida repartição de sacrificios, vai também o subsidio de Natal e o de férias dos trabalhadores do sector privado. Talvez não ajude muito a receita, mas a despesa ui ui. Também não temos nada com que nos preocupar, o santinho vai aparecer, oh se vai.
Calma, estamos nas mãos de gente muitíssimo inteligente.
Quanto ao jogo de ontem apenas tenho para dizer:normal, perfeitamente normal.
Para os mais embuxados devo referir que comprimidos para a azia não tenho, mas posso indicar uma farmácia de serviço.
O Presidente da AMI está "menos crítico, nas suas sempre ponderadas palavras, em relação a algumas" situações em Angola". Gostei especialmente da parte onde Fernando Nobre diz que "a legitimidade europeia está beliscada, mas não ignora que é preciso saber fazer respeitar os direitos humanos, uma mensagem que deve passar com afeto e muita diplomacia".
Que é como quem diz: vá lá, não sejam mauzinhos. deixem-se dessas coisitas de não respeitar os direitos humanos, tá bem? Pronto, vamos beber uma ginjinha.
Só mesmo o Sporting para me fazer rir. Não há dúvida, é mesmo um clube simpático. A Académica que se ponha a pau, já faltou mais para o Sporting se tornar o segundo clube de todos os portugueses.