Na semana em que Obama viu ser recusado o pacote negocial proposto ao Irão e em que a NATO e Israel se aproximaram em exercícios no Mediterrâneo, as forças armadas iranianas começaram intensos treinos militares com vista à "defesa das instalações nucleares", enquanto Ahmadinejad iniciou visita ao Brasil e à Venezuela. O que nos dizem estes factos? Primeiro, que o regime de sanções não resultou, o regime não colapsou e a ameaça perdura. Segundo, estes exercícios querem alertar a região, em especial Telavive e Riade, sobre as intenções do regime caso seja alvo de ataque .
Terceiro, Israel sedimenta a aproximação à Aliança Atlântica obtendo, assim, alguma amplitude internacional perante a opção militar contra as bases nucleares: é uma resposta ao relatório Goldstone da ONU e uma forma de se assumir como parceiro credível da NATO contra o tráfico marítimo, poucos dias depois de terem interceptado um carregamento de armas em águas cipriotas, ao que tudo indica com origem no Irão e como destino ao apetrechamento do Hezzbollah. Por fim, o presidente do Irão procura apoios internacionais no eixo do carnaval. O uso da força não tem estado no debate com a pertinência que eventualmente justificaria. Esse debate também não existiu quando Israel, em 2007, de forma cirúrgica e categórica, destruiu uma instalação nuclear na Síria. Lembram-se? Provavelmente, já não.
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