Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

David Cameron e Nick Clegg caminharam ontem juntos pelos jardins de Downing Street. Era importante defenderem uma imagem dinâmica e segura que vincasse o mote da sua coligação: recuperar a economia e reduzir os 12% de défice. O desafio é tal que ambos foram obrigados a concentrar-se nos pontos de convergência, retirando das prioridades negociais o que manifestamente os afasta. Ora, isto só é possível porque as lideranças são bem mais pragmáticas que ideológicas e perceberam, sem grande dificuldade, que uma governação de sucesso a termo certo (2015) lhes pode trazer mais benefícios do que uma mera prestação de serviços mútuos. Do lado conservador, seria um argumento extra para pedir aos eleitores a desejada maioria absoluta; aos liberais-democratas, uma forma eficaz de promover a alteração do sistema eleitoral e aproveitar as fraquezas do Labour para captar eleitorado.

O argumento de uma coligação contranatura ou politicamente irreconciliável só tem validade caso a coligação entenda fazer cavalos de batalha das diferenças. Ora, para haver acordo é porque elas ficaram para segundo plano ou a necessitar de afinação (imigração, Afeganistão, nuclear, sistema eleitoral). O que estes líderes dizem ao país é que as prioridades dos britânicos não passam por aí, mas sim pelo combate ao desemprego, à despesa pública, à injustiça fiscal, à insegurança e à imoralidade de muitos desempenhos políticos. Esta coligação tem um carril montado para iniciar uma viagem difícil, um novo líder trabalhista implacável e uma difícil disciplina partidária. Catalogar o quadro como “nova política” não é mais do que um chavão vazio. Tudo isto é apenas política. E da velha.

 

Hoje no DN



publicado por Bernardo Pires de Lima às 14:48 | link do post

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