Terça-feira, 30 de Agosto de 2011

Longe vão os tempos em que os políticos tiravam seis semanas de férias no Verão, como o ex-primeiro-ministro inglês, Stanley Baldwin. E que Agosto ia a banhos com a silly season. Um dos grandes fenómenos políticos deste ano é exactamente este: a silly season nunca existiu. Nem em Portugal (embora alguns políticos façam de conta que sim), nem em Inglaterra, França ou Espanha, EUA e resto do mundo. Mesmo assim, Obama, Merkel, Cameron ou Zapatero – para não falar de Cavaco ou Passos Coelho – quiseram fazer de comuns mortais e tirar os seus dias de lazer. Tirando o factor sorte da política portuguesa, os restantes líderes foram forçados a interromper as férias. O caso mais caricato deu-se em Londres, mas o americano também merece uma paragem de atenção.

No governo inglês, as três principais figuras (Cameron, Clegg, Osborne) resolveram ir de férias ao mesmo tempo. Não ficou ninguém com autoridade política em casa, uma gestão no mínimo displicente da agenda política, da coisa pública e um sinal da débil coordenação desta coligação contranatura entre tories e liberais. Claro que os motins e a violência nas cidades inglesas obrigaram ao regresso antecipado da Toscana (Cameron). Mas se não fossem os motins, seria a crise da zona euro, se não fosse uma greve geral nas universidades, seria a crise líbia. Ou outra coisa qualquer. Não há tempos mortos na política internacional e, em tempos de austeridade e torniquete financeiro, existem muitos menos na política interna.

No caso de Obama, assistimos a um outro comportamento. De férias na ilha de Martha’s Vineyard, nem a possível queda de Kadhafi chegou para o fazer regressar a Washington e acompanhar a situação. Emitiu uma ou outra declaração avulsa e fez um comunicado via rádio. Todos bem exemplificativos do desinteresse americano na Líbia e do acanhamento actual em usar os seu poder militar. Em 2011, a silly season não existiu. Mas há políticos que continuam a brincar no Verão. 

 

Sábado, na Notícias Sábado



publicado por Bernardo Pires de Lima às 00:51 | link do post

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